Unesco revela visão dos alunos em relação à escola no Brasil
Fonte: Correio Braziliense
Erika Klingl
A escola brasileira cria nos jovens um sentimento de frustração em relação ao futuro, principalmente entre os de baixa renda. A escola permite aos alunos tomar consciência das oportunidades e possibilidades existentes na vida, mas, muitas vezes, não lhes dá condições para aproveitá-las. Essa é uma das principais conclusões do livro Estar no papel: cartas dos jovens do Ensino Médio, que será lançado hoje (14) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). “A escola é muito tradicional e nega o papel da juventude. Não aproveita o que os estudantes trazem de fora das salas de aula”, afirmou a coordenadora do Observatório de Violências nas Escolas no Brasil, Miriam Abramovay – responsável pela organização do livro. Uma das principais queixas dos alunos é exatamente a falta de diálogo. E eles querem falar. Apenas 2% dos estudantes convidados a responder as cartas, em quase 650 escolas brasileiras, não quiseram escrever. Os alunos foram desafiados a contar como é a escola em que estudam e como gostariam que ela fosse. Ao todo, 1,7 mil jovens do Ensino Médio manifestaram seus posicionamentos a respeito do universo escolar. “Apesar da grande quantidade de erros nos textos, o material é muito rico. Eles pensam bem e sabem organizar as idéias, apesar da escola ser tão tradicional”, ressaltou Abramovay.
Cartas - “Os alunos não sentem vontade de aprender, pois os professores freqüentemente não sabem fazer com que os alunos se interessem pela questão”, disse um estudante de São Paulo. “Temos professores bons, mas sem nenhuma dignidade e boa condição de serviço. Os quadros estão pichados, as janelas quebradas, e as carteiras soltas. Isso acaba desmotivando os alunos que realmente querem adquirir conhecimentos”, comentou outro, do Pará. Em centenas de cartas transparece ainda um sentimento de crítica em relação aos rumos tomados pela política educacional, nos últimos anos. Os alunos também demonstram um profundo desânimo e descrença na possibilidade de mudanças, principalmente aqueles que estão na última série do Ensino Médio.